domingo, 7 de março de 2010

SONHO A DOIS - Marco A. Bernardino


Diga em que momento,
Você pode me encontrar,
Num beijo em meio ao vento,
Sem sentir frio;

Duas almas seguem,
Pelas brumas junto à luz,
Que a madrugada pede,
Num sopro lento e vadio,


É nosso sonho, você viu?
Pelas ruas de São Paulo,
Entre luzes, prédios, frio;

Ver seu pensamento,
Como um manto a me envolver,
E lembro de repente,
Da nossa canção;

Ao som do realejo,
Sua sorte me seduz,
Em nosso vôo vejo,
Em teu silêncio, nossa paz...

A neblina nos passeios,
Como nós, vai se afastar,
E acordando te procuro,
Querendo voltar,

Pro nosso sonho, você viu?
Pelas ruas de São Paulo,
Entre luzes, prédios, frio;

CARROSSEL - Marco A. Bernardino


Mil gaivotas voam num passeio multicor,
Embalando arrastões e pescadores;
Como explicar a imagem livre que ficou?
Um espaço no coração de um homem;

Como um barco que partiu
Com destino ao nunca mais,
E levou junto toda ilusão,

E voltou num temporal,
Espalhado à beira-mar,
Qual a ave enfraquecida,
 Qual o sonho a se afogar

E o mundo vai girando ao seu redor, qual carrossel,
Numa existência tão cruel,
No sentido sempre inverso ao que seguia,
Sua própria emoção;

Muito além de onde o céu encontra o mar,
Alguém chamou,
E você voa mais além,
Onde morre o sentimento, e sem saída,
Se queimou a luz do sol...

Mais um novo dia, eu te espero sem pavor,
Na areia escrevo então seu nome;
Pra não expressar a mais do que o mar falou,
Para não gritar, saber por que estás tão longe!

Um espaço se abriu,
Na neblina em meio ao cais,
Dissipando toda aflição,
Retornando na canção
Qual pedaço que saiu,
Qual a ave que perdida,
Ao bando volta a se encontrar;

QUANDO A GENTE ACORDAR - Marco A. Bernardino


Sinto nosso tempo fugir,
Como se nós dois, sem pensar,
De costas entre si, deixando passar,
O que mais se esperava...

Sinto tanta pena, de quem um dia guardou,
Junto do peito uma certeza, mas não adiantou,
E com o vento vai,
Seguindo um rumo que ninguém sabe...

Eu nunca entendo,
Por que você se fecha em seu medo,
Sem saber,
Que teu segredo é meu segredo também;
E eu durmo cedo,
Sabendo que amanhã é outro dia,
Só pra ver,
Tudo resolvido quando a gente acordar;

Nem quero entender,
Não me interessa o que não te faz bem,
É bom pra mim,
Querer estar com você...

UM MINUTO DE PAZ - Marco A. Bernardino


Como vai, sou eu,
Quem já veio com flores, algum tempo atrás,
Com um sorriso que agora, está perdido no tempo,
E sei que não volta mais;

Eu ainda ando sozinho,
Todo fim de semana,
Quando o dia termina,
Posso ver teu sorriso, no de outras meninas;
E a dor da saudade,
Finjo ser seu carinho;

Mas não, não entenda isso tudo,
Como um tolo lamento (pois bem sei que sou livre)
Mas o meu pensamento, ainda pede um segundo,
Pra pensar no amor

E tão pouco tempo se vive em busca do eterno,
Não se pode ser mudo, quando tudo é inverno,
Mesmo que seja agora, meu minuto de paz ;

Quem diria que eu,
Sempre tão corajoso, algum tempo atrás,
Hoje canta por medo, de entender no momento,
O que eu vivo mais;

Na memória, existe um vazio,
Que minh’alma reclama;
Por que vai consumindo
Como um fogo maldito, e pelos campos da vida,

Vou perdendo terreno
Com o orgulho ferido;

BLUES DO APARTAMENTO - Marco A. Bernardino



Este gosto amargo de desprezo,
Só existe entre o espaço e onde me vejo,
E na rua, o relógio displicente,
Tenta enganar na hora;

E em São Paulo, fazem dezesseis graus,
E faltam muitas horas,
Pra eu te ver aqui

E me engano, vendo carros,
Que atropelam o silêncio,
Daqui a pouco o interfone vai tocar,
E neste apartamento faz frio;

Tenho o nome certo pra esse tempo,
Em que fico alucinado, indefeso,
Tempo de gritar em meu silêncio,
Onde está você agora...

E eu ensaio uma frase informal,
Pra esquecer esta demora,
Que tortura a mim;

E me engano, vendo carros,
Que atropelam o silêncio,
Daqui a pouco o interfone vai tocar,
E neste apartamento faz frio;

TEU SILÊNCIO - Marco A. Bernardino



Se de repente, eu fiquei calado,
Não entenda como algo errado,
Muito menos me pergunte por eu parecer assim,
Tão desarmado,
Olha pra mim.                   

É preciso muitas vezes, conhecer o silêncio,
Que diz muito mais, do que palavras,
E eu preciso tanto ser assim.
Silêncio,
Que não leva a gente a cometer enganos,

E nem brinca com um sentimento humano;
Pode ser amor ou mesmo o próprio orgulho,
Pode fazer festa sem fazer barulho;

É a voz do meu silêncio,
Que se cala em teu sorriso,
Pois você é tudo e muito mais pra mim.

POR UM TEMPO - Marco A. Bernardino




Havia um tempo em que tudo parecia, eu não sei,
O modo certo da gente, ser igual e sentir;
Passou o tempo e não passa, sua imagem no fim,
De qualquer bela história,
Onde tudo era assim;

Será que um dia eu, te verei de novo,
Sob a mesma utopia, por demais real?                 
Ainda escrevo o seu nome no tempo,
E vejo,
Você vir do nada;

Nós crescemos no mundo, e somos juntos a crer,
Que, apesar da distância, não há nada a temer,                      
Me escondo entre os olhares, dos que passam por mim,
E sei que, na verdade,,
Nada fazem por vir;
Venha me dizer, o que há de novo,
Se você ainda, pode ser real?
Ainda escrevo o seu nome no tempo,
E vejo,
Você vir do nada;