quarta-feira, 19 de setembro de 2018

CARÊNCIA

A fala fecha,
A cara vira,
A fé abala,
O sonho expira;

O tom desanda,
A paz demanda
Sorriso fenece;
A alma padece;

Pelo meio se anda;
Abaixo se põe,
À margem se fica,
A placa não indica;

Apenas mudo,
Em ato e estado,
Nada está em tudo,
Não há recado;

Sinal rompido,
Espaço extenso,
Peito ferido,
Sofrer intenso.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Estar só
Não é estar isolado;
É estar com quem
É só lado.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

TERMO DE CIÊNCIA

Já aceitei que não há mais o calor,
Entendi que colho escolhas;
Assumi meu posto e valor,
Longe da redoma onde sonhas;

Sou mais eu em minha quietude,
Entre sorrisos e mesuras gentis;
Só estou entre a falta e a virtude,
Convenho e preencho o que diz;

Até onde serei porta sem tranca,
Só direi quando o grito sair;
Na frieza e vazio que te estanca,
Terminará só, por se trair.

 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

RESTA UM

Só convém, não é amado;
Só encaixa, não preenche;
Só convive, não abraça
Só protocolo, sem afeto.

Sem lembrança, só menção;
Sem afago, só lampejo;
Só favor, nenhuma entrega;
Só vislumbra, não enxerga.

Social mas nunca íntimo;
Divisão, jamais partilha;
Escoa vida e nunca junta;
Finge paz e nunca alia.

O que é isso, não sei;
O que está, não situei;
O que for, não serei;
Onde vou, não levarei.

domingo, 29 de julho de 2018

"Em minhas reflexões concluí que por mais que usemos metáforas como taças de cristal e folhas de papel ao tratarmos de conflitos, somos almas e almas são resilientes.  Podemos não perdoar nem confiar em quem nos magoou mas jamais somos destruídos ou deformados para sempre. Assim, você se livrar de mágoas e rancores depende somente de sua disposição de em alguns episódios de sua história, colocar um ponto em vez de vírgulas ou reticências. Daí, o perdão e a capacidade de dar uma nova chance faz sentido e torna-se um forte impulso."

A. Mandel .


terça-feira, 12 de junho de 2018

CANTO DA COLHEITA
(12 de junho de 2018)

O que dói à alma condenada,
É querer o que do lado respira,
Toque, riso, afeto e um sopro do nada,
O que perto te chega e então se retira;

É o esboço da melhor resposta,
E logo após o silêncio gélido do desprezo;
Usar a conveniência da solicitude disposta,
E então por na gaveta o falso apreço;

Entre tantos que hoje cantam,
Idilios, romances, juras e melodias,
Sou mendigo sob luzes que encantam,
Fora de todos os olhares doces deste dia;

Sou folha de um diário rasgado,
Teco de brasa dispersa, moribunda,
Presente deixado no nicho de seu passado.