sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

AS CRENÇAS


                  Somos o que cremos  ser. Vivemos conforme nossas crenças. Nossas crenças podem nos levar a algum  lugar ou podem nos matar, e pior ainda, matar relacionamentos, oportunidades,  podem nos anular, e ainda, nos tornar alvos fáceis de manipuladores de todos os  tipos.
                         Se cremos que a vida é difícil, que as pessoas são ruins , que tudo vai de mal  a pior, e que antigamente tudo era melhor e mais fácil, inserimo-nos então na  limitação, no amargor, na  nostalgia torturante (a nós mesmos e aos outros) , na  solidão e na depressão. E se passarmos a crer de forma contrária a isso tudo? E se quisermos melhorar o mundo em torno de nós? E se quisermos que assim seja,  começando por mudar nosso mundo? A primeira conseqüência, acredito eu, será  então termos sérias dúvidas sobre tudo o que temos ouvido e acreditado ao longo  destes anos, passaremos a ter outra visão sobre a vida, as pessoas e o tempo  presente.
                           Para  ingressarmos em uma melhor categoria de mundo, temos que reformular o modo como  cremos na vida como um todo, a vida que vivemos, o caminho que seguimos, enfim,  o lugar que ocupamos aqui, pois independentemente de como cremos, somente nós  estaremos conosco na eternidade, e no fim , trata-se de uma questão de  sintonia, e à medida em que sublimamos nossos pensamentos, ações e por fim  nossas crenças, somos atraídos para um mundo melhor, e isso não depende  necessariamente de  morrermos  para este, pois é aqui que começa o melhor; atraímos pessoas diferentes,  situações diferentes, oportunidades diferentes, e vivemos em um mundo melhor  aqui mesmo, ainda que não deixemos de perceber o bem e o mal, o positivo e o  negativo; aprendemos o caminho do meio, aprendemos a administrar a vida,  e  quando for a hora de partir, apenas posso dizer que vamos para algo melhor,  pois estamos então, sintonizados com o melhor.


                              Não  se trata das coisas mudarem em torno de nós, mas em  mudarmos o modo encarar tudo o que existe e acontece; assim, seremos aprovados  neste estágio, e vamos para o seguinte, e assim por diante. 
                          Nós chegamos aonde nossas crenças nos permitem chegar, e à medida em que somos  abertos à mudança, nossa crença evolui e torna-se vivência, assim, crescemos e  seguimos. 

AMOR, CIDADE, PESSOAS E SITUAÇÕES



Sempre tive uma  forma muito interessante de ver e viver a cidade onde mora; tendo nascido em  cidade rica do país, mas morando em um bairro extremo, resultou este fato em  uma grande capacidade de lidar com as diferenças étnicas, culturais e sociais.  Sempre pude lidar com todos sem maior diferenciação, e todas as caras e lugares são  por fim a cara da cidade, que se transforma a cada instante num ritmo violento,  neurótico e rebelde a leis de zoneamento, planos diretores e tantas tentativas  desesperadas de se ordenar aquilo que, sendo atento a tudo, classifico como "sobreposição de sobreposições".  
    Sempre  poético, sempre musical e sonhador, por sinal muito romântico, associei  na  adolescência o cenário das vitrines do centro em dia nublado, aos meus  devaneios, meus diversos amores platônicos, tramando deste modo um curta-metragem de mãos dadas com a namorada tão fugaz e efêmera quanto a  certeza de que daria certo; tive minha situação sentimental definida aos vinte e  três anos  e hoje casado há dezoito anos, acabei por transmutar meus sonhos numa realidade intensa de amor, trabalho  e - o  que classifico como raro privilégio - muita amizade e cumplicidade, o  que vem de uma "química" que só pode existir quando se constrói um  relacionamento, quando se entende que, este é um caminho efetivo para a  iluminação, o que é o alvo maior de todo o ser, quer ele seja consciente disso  ou não, o importante é que seja uma escolha consciente. Tenho esse objetivo  como o maior desta vida, e isso é inevitável, e ao mesmo tempo não tenho como fórmula, por assim dizer, como regra absoluta, pois acredito que na natureza  humana não existe nada simples   - tudo é diverso e complexo, mormente tendências e pontos  de vista.   Gosto, como já foi dito, de lidar com gente e nisso não tenho preferência, ou critério; lidar com gente é entender que todo indivíduo  é luz e sombra, é não ter ninguém acima das condições normais do ser humano;  tanto eu próprio como todos dão aquilo que têm, agem dentro do que pensam ser  correto, crêem naquilo que lhes conforta e os faz ser melhores. Portanto,  acredito nas pessoas sem me entregar cegamente a vínculos desnecessários que só  servem no fim para gerar discordâncias, conflitos e decepções. É a idéia do  viver e deixar viver, sem dependências, expectativas ou entregas - apenas uma  saudável troca de experiências, o que no fim é a única forma de crescimento: a  vida de relação.   Tenho uma leitura das cidades fortemente ligada às pessoas, e sinto que a maior ou menor desordem nas cidades e nas casas - até mesmo a falta de ordem - é  conseqüência diretamente proporcional ao estado de alma das pessoas, seus  valores, prioridades, enfim a exteriorização de seu interior, tanto individual  como coletivo. Isso, em vez de suscitar uma postura crítica, principalmente  hoje em dia, causa em meu espírito profunda empatia com tudo e todos uma vez  que sinto que tudo é interligado, interdependente; "Uma estrela que explode  há  milhões de anos-luz da terra, influi na vida de cada ser, cada coisa que aqui  existe" - penso. Isto quer dizer que ou todos se ocupam de mudar suas crenças e  valores, ou as coisas continuarão aí por mais tempo, e nós continuaremos a sofrer o que sofremos e a lamentar como lamentamos; nada é permanente, mas quanto tempo isso dura, depende de cada um de nós. 

CONTRIÇÃO



"Às vezes, certo tom de tristeza toma sutilmente a minha alma; sei que, embora não pareça, esta tristeza  é um sinal de que estou no caminho certo de minha busca da verdade, a minha verdade, a minha iluminação".

CANTO DO MANDEL