quarta-feira, 7 de março de 2018



CONECTIVIDADE VÃ

Onde anda a parte ausente,
Que sempre senti pregada a aço e fogo,
Única em dor e êxtase latente,
Dados exatos de meu incessante jogo?

De repente um vazio sem tamanho,
Me leva a vagar em nuvens e picos gelidos,
Sonhos de cenas em um filme tacanho,
Apontando ao final sem pena ou merito;

Tanto que nos cerca em tamanhos e cores,
Nada são a mim que não torpores,
Restos de ilusões de alto preço jogados,
Aos fundos do armário de desejos mofados;

Sobram sorrisos gentis ao fim do dia vazio,
Palavras que evitam confissões obtusas,
Vontades paradas ao muro de seu feitio,
Erguido em suas conexões cegas e escusas.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

TANTO SILÊNCIO

Seu olhar olhando algo sem forma,
Silêncio duro e impenetrável a mim,
Sorrisos gentis por mera norma,
Onde vamos chegar assim?

Sonhos e dores em meio à noite suada,
Seu sono me mostra diferentes estações,
Sintonias distintas onde meu grito é nada,
Cada ar inspirado de distintas direções;

Quais seus planos e sonhos para logo?
Porque me sinto tão excluído?
Em perguntas e medos me afogo,
E caio lívido em sono qual cão perdido;

Tanto silêncio, pouco assunto,
Somos pião que roda no jogo mutante,
Fim de domingo acenando ao mundo
Amargo adeus latente mas nada distante.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A boa têmpera do aço vem do alto calor que funde o mineral e recebe os golpes que moldam e preparam; a água fria consolida e efetiva a função. Cada um assim se faz e se não caminhar entre prazer e dever de modo a viver em equilíbrio, equivale ao minério que só no calor se funde até nada restar, ou se molha apenas se corroendo indiferente a deteriorar-se.  O ser de boa têmpera segue o caminho do meio e suas escolhas o levam à paz e à  fortaleza.



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Quando te sentires pequeno diante do  universo, seja o próprio - ou melhor - assuma o que já és .

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Deixe os erros e faça disso ferramenta para ajudar outros deixarem de errar também.
Vale ser solidário por experiência prática a juiz por arrogância teórica.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

SEM TÍTULO

Amar mais do que se é amado,
É dar luz e não ser visto,
Abrir portas mas ter o acesso fechado,
Dar flores e ficar com os espinhos;

Ser seu melhor mas nada melhora,
Receber com alegria mas ter que ir embora,
Fazer festa e não ser convidado,
Dar a mão mas ganhar de volta o costado;

É  acolher e ser ignorado,
Exaltar para ser humilhado,
Nada ser a quem dá tudo de si,
Pode crer - não se está nem aí.

Dizer te amo e ouvir silêncios doídos,
Chorar no escuro e ter seu pranto tolhido,
Não, você não é vitima do mal dos egos!
Apenas seu mundo é mal que vitima cegos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

SONETO DA RESILIÊNCIA

Com o amor de quem espero,
Não mais conto como certo a vir,
Ainda que não negue esmero,
Fecho a porta sem a tranca a impedir;

Reergo o olhar e reenceto o passo,
Mantenho porém sua jóia escondida,
Não lanças mão e a leva como faço,
Pois só levas mediante seu abraço;

Ainda se me dizes quando te digo,
Ou do nada dizes se tens em ti,
Amor e desejo de dizer e fazer comigo;

Sofrer, como sol seca e cura,
Desfolha, ainda que não perca minha seiva,
E lembre, em mim achas se procura.