terça-feira, 31 de maio de 2022

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

PAJEM DE PAUS


Sobre dias que se foram,
Já não há o que fazer;
Sob o peso da distância,
Só me resta escrever.

Esculpir em pedra cinza,
Minha forma tão pequena,
Encolhida e tão ranzinza,
Dou um tom de dor à cena.

Todo dia me impressiona,
Me lembrar que você cresceu;
E essa roda que impulsiona,
O trajeto que é só seu.

Fico aqui no fim do trem,
Ora paro na estação;
Não me cabe ir além,
De onde parte sua visão.

Na vida sou raiz e base,
De seu vôo em fruto e flor,
Nada espero além de fases,
Tudo aposto e engano a dor.


 

(INTER) DESCONEXÃO - 2018


 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

sexta-feira, 19 de junho de 2020


AUTO DA PANDEMIA

Pus as roupas no varal,
Com elas minhas urgências;
Éramos assim lá no quintal,
Roupas, eu, árvores e desurgências;

Quarando penduradas sob o sol outonal,
Despedindo da semana última dessa estação;
Outras haverão de vir na dança anual,
Mas nenhuma como esta nesta breve encarnação;

Pássaros gorgeiam na piracanta majestosa,
Sombras e côdeas de sol rumo ao oeste se angulam;
Sem medo da noite que virá após um véu de rosa,
Que o ocaso mais acaso as pressas anulam;

Uma sexta-feira de cestas da feira frondosa
Uma noite de prosa do dia em confino;
Nos braços soturnos da penumbra amorosa,
Sou mero turista no expresso destino.





quinta-feira, 16 de abril de 2020

CÁLIDO CULTO

Amo a deusa que humilde ostenta,
Em vulto singelo o cálido sol;
Ora cigana, odalisca ou serena,
Gira na luz, o mundo girassol.

Dança e agita meu espírito fosco,
Ama e gravita em meu mundo dantesco;
Quero teus saltos e giros num enrosco,
Em passos e compassos ao som de um
                                                         [flamenco.

Luz verdadeira que de mim tem a posse, 
Me fita e toca e o tempo estanca;
Sem medo de nenhum medo que o amor                                                                         [distorce,
Me faz sua chave que a porta destranca. 



terça-feira, 31 de dezembro de 2019


AOS QUE SEGUEM
A cada pessoa com quem este ano,
Tratei,
Destratei,
Trai,
Contraí,
Fascinei,
Desapontei,
Entendi,
Desentendi,
Por fim, convivi:
Minha sincera gratidão e falsa indiferença, pois não sei indiferenciar
Não posso esquecer e não dá para ignorar.
Levo cada um em mim e me construo assim.
Ora fundo as bases sobre exemplos, ora destruo estruturas
sob divergências, e as faço tapetes de pés que pisam e moem
ranços, rancores e torpezas vis.
Obrigado a cada um que em mim está contido e que a mim
contém.
Obrigado e desculpem o excesso de menos verniz.
Um ano novo como todos mas bem mais feliz.